Projeto transforma vidas de trabalhadoras com recursos destinados pela JT e MPT

Costureiras

Um projeto desenvolvido no município de Alto Araguaia tem transformado vidas de dezenas de trabalhadoras com o apoio da Justiça do Trabalho em Mato Grosso. Trata-se do "Inclusão de Mulheres Corpo e Mente", que oferece oficinas de qualificação em corte e costura para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

O projeto recebeu mais de 5.600 reais de recursos destinados pela Vara do Trabalho da cidade, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho.

Os valores foram repassados em novembro do ano passado e empregados na compra de moletons, malha fria, e malha ribana, além de aviamentos, usados durante os cursos. Até o momento, já foram produzidos mais de 100 conjuntos de moletom, que serão distribuídos para crianças carentes atendidas pelo município.

A professora Luzia Amélia de Souza é voluntária do projeto. Ela ressalta que ele tem ajudado as mulheres não só a garantir uma renda extra, mas também a manter a saúde mental: "A grande maioria delas são pessoas com depressão, com problemas domésticos e funciona como terapia. Além disso, é uma forma delas se sentirem úteis", disse.

É o que conta dona Luzinete Maria de Jesus, uma das participantes. Depois da morte da mãe, ocorrida recentemente, ela encontrou no curso a força e a alegria que precisava para enfrentar a dor da perda: "Com as colegas a gente ri, a gente conversa e o trabalho vai evoluindo sabendo que a gente está fazendo peças pra ajudar pessoas carentes e que precisam".

Já para a dona Joselina Martins da Rocha, mais conhecida como Dona Jô entre as colegas, o curso tem contribuído no combate a sua depressão, que piorou muito nesse momento de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus: "Eu não estava aguentando mais. A depressão tinha me pegado porque as nossas atividades pararam e eu estava muito mal. Então, esse curso pra mim foi uma benção de Deus", explicou ela.

A liberação dos valores foi feita pela juíza Karina Rigato, da Vara do Trabalho da cidade. Ela conta que o projeto tem um impacto muito grande na vida das mulheres atendidas e de suas famílias “Eu avalio que é uma ação transformadora. Além de apreenderem uma profissão e melhorar a renda, elas se sentem incluídas e importantes por conseguirem vislumbrar, no produto do seu trabalho, algo de valor", ressaltou.

A Justiça do Trabalho, em Parceria com o MPT, têm feito inúmeras destinações a projetos e ações sociais em todo o estado. Os recursos são oriundos de condenações pelo desrespeito à legislação trabalhista em ações coletivas, como ressalta a juíza Karina Rigato: “Nós entendemos que essas ações afirmativas de cidadania tem possibilidade de ter uma ação transformadora na vida das pessoas. Acreditamos muito nesse papel da Justiça do Trabalho, que é um papel inclusivo", afirmou ela.

Depois do curso de Corte e costura, as mulheres assistidas pelo projeto ainda vão participar das oficinas de crochê e de lingerie. Para a professora Luzia Amélia, voluntária no projeto, o trabalho a realiza: "Era um sonho de muitos anos que não tem preço. Tudo que a Justiça do Trabalho fez só temos a agradecer", concluiu ela.

(Sêmia Maud/Zequias Nobre)

 

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