Atuação socioambiental do TRT/MT resulta em saída de catadores do lixão de Alto Araguaia

Foto dos catadores de materiais recicláveis em frente à Associação

O trabalho institucional desenvolvido pela área da sustentabilidade do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT/MT) teve efeito na vida de catadores de materiais recicláveis do município de Alto Araguaia. Antes trabalhando em lixões e expostos às intempéries e riscos à saúde, hoje eles atuam em um espaço próprio fazendo a coleta com equipamentos adequados e um caminhão adquirido com destinações da Justiça do Trabalho e Ministério Público do Trabalho (MPT)

Tudo começou em 2018 com um projeto conduzido pela Gestão Socioambiental do Tribunal para promover a destinação correta dos resíduos produzidos nas próprias unidades da Justiça do Trabalho.  Durante as visitas realizadas às unidades do interior, a chefe do seção, Natália Pansonato, aproveitou para conhecer a realidade de cada local, procurando saber da existência de cooperativas ou associações para descarte de resíduos ou mesmo visitando os lixões para conversar com os catadores e verificar interesse na criação de cooperativa/associação. “De posse das informações, eu realizava uma explanação nas varas, para os servidores e magistrados, falando sobre a importância da coleta seletiva para o meio ambiente e para a sociedade, sobre o trabalho degradante nos lixões e a importância das cooperativas, um ambiente mais seguro e digno de trabalho”, explicou.

O lixão de Alto Araguaia foi um dos locais visitados. “Na ocasião havia um casal de catadores. Quando pedi para tirar fotos, o senhor muito desconfiado falou: ‘sempre vem gente aqui tirar fotos e nunca acontece nada’. E eu pensei: ‘mas desta vez vai ser diferente’”, lembra Natália.

Quatro destinações de recursos totalizando 239 mil reais resultaram na criação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascalto), inaugurada na sexta passada (02), transformando a vida dessas pessoas e de toda comunidade. Os valores possibilitam a compra de um caminhão, EPIs, prensas hidráulicas e ainda um curso para capacitar os catadores para constituição da associação.

O primeiro repasse foi autorizado há dois anos pela juíza Karine Rigato, na época titular da Vara do município. “A primeira audiência pública ocorreu em outubro de 2019 e de lá para cá foram inúmeras reuniões e comunhão de esforços de vários parceiros para que saísse do papel. Esse projeto concretiza cidadania e dignidade aos valorosos trabalhadores da reciclagem que realizam um trabalho essencial à sociedade”, contou a magistrada.

A juíza destacou, ainda, a atuação da Gestão Socioambiental do Tribunal, que plantou a semente para que essa ação fosse desenvolvida. “Agradeço ao TRT/MT que, por meio da Socioambiental, lançou o desafio às varas do trabalho de atuarem junto aos trabalhadores nos lixões das cidades, estimulando a coleta seletiva/qualificação e implementação de uma economia solidária”, pontuou.

Em 2021, as destinações continuaram, agora autorizadas pela juíza Michelle Saliba, atual titular da unidade. “O projeto possibilitou a constituição da associação de catadores na região. Agora, esse grupo profissional pode contar com uma qualidade de vida digna saindo dos famigerados lixões e, ao mesmo tempo, auxiliar a sociedade com o desenvolvimento sustentável e coleta de recicláveis que até então não existia no município”.

Transformação

A Ascalto é composta hoje por 20 catadores de materiais recicláveis de Alto Araguaia. Entre eles está Maria Júlia, que há 20 anos realizava esse trabalho no lixão da cidade. “Saímos do lixão, onde não tínhamos segurança nenhuma, estávamos no sol, no meio de animais mortos e agora estamos em um barracão com total segurança”, contou.

A ajuda coordenada pela Prefeitura de Alto Araguaia com o apoio de diversos parceiros surpreendeu a catadora Manuela Maria cuja família ganha a vida com produtos recicláveis há mais de duas décadas. “Não sabíamos que poderíamos receber essa ajuda. Foi muito importante porque mostrou que temos o apoio de muita gente e que nosso trabalho é valorizado”, comemorou. 

(Sinara Alvares)

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